O Custo da Pandemia

Foto: CloudCoachig.

Por Silvana Scórsin

Já se foram 60, 70 ou até mais dias. Contam que antecede o ano de 2020 o aparecimento do vírus COVID -19 no planeta, e talvez até no Brasil. O assunto não mudou desde então. Infectados, vítimas fatais, curados, letalidade, curva de desenvolvimento da epidemia, isolamento social, distanciamento social, higiene, máscaras, remédios, “fakesnews”, “negacionismo”, imprensa, política, países, governos, respiradores, vulneráveis, desigualdade social, linha de frente, grupo de risco, vacinas, e a dicotomia: vidas versus economia.

 Tem mais palavras no glossário acima para compor o gigantesco quadro econômico nesta curta e penosa experiência mundial.

Comecemos pela China, país onde o vírus surgiu e onde as primeiras cidades tiveram que decretar isolamento social para conter a propagação. A China, é a segunda maior economia global e exportadora de vários insumos para indústrias do mundo todo, inclusive o Brasil. Prova maior, muitos países ficaram reféns de produtos hospitalares básicos, e houve uma corrida mundial de compra com os chineses de vários equipamentos e insumos para fabricação destes produtos, como remédios e aparelhos. O Brasil enviou aviões da Força Aérea para buscar suprimentos (máscaras e respiradores) em caráter emergencial. A China amarga a histórica marca de queda no PIB de 6,8% no primeiro trimestre do ano, desde 1992. A China parou no início de 2020. Incertezas ainda cercam a economia chinesa que afetam a economia Global.

Alguns países da Europa iniciam esta semana, o relaxamento das medidas de isolamento social em clima de incertezas com fortes pressões da Comissão Europeia de alguns países do bloco que pedem fechamento de/das fronteiras.  Muitos líderes já avaliam o custo colossal ao estilo de vida, mas temem uma nova onda da epidemia, e os efeitos negativos disso tudo, vão parar na bolsa de valores.

Já os Estados Unidos, lançou US$ 3 trilhões para combate a Pandemia. O aporte visa mitigar o impacto na taxa de desemprego de 14,7% em abril, e cotas emergenciais à indivíduos, empresários e empresas.  Reforça-se que a taxa de desemprego de 14,7%, não era registrada desde os anos de 1930 nos EUA, ano da Grande Depressão.

No Brasil, a economia já vinha em uma lenta e penosa tentativa de recuperação com uma previsão de crescimento tímido do PIB para este ano de 2020. Com a Pandemia, na mesma linha de outros países, foi necessário alocar verbas extras para contas emergenciais aos vulneráveis, e medidas de benefícios fiscais para ajudar empresas e outros setores da economia. Considerado um exemplo para o mundo, o Sistema de Saúde no Brasil, o SUS, que atende 75% da população, estava vindo de um processo de deterioração de anos, com baixos investimentos, ineficiência administrativas e muitos desvios em corrupção. Com a Pandemia, Estados, Municípios e Governo Federal necessitaram aportar do dia para noite, verbas, pessoal, equipamentos e espaços, além de condições e pesquisas para atender a demanda em crescimento de infectados, e o que já era frágil, e deficiente, tornou-se ainda mais desastroso. 

As medidas adotas pelo Governo até o momento ainda não tem sido eficaz, e vários gargalos tem sido expostos a céu aberto causando crises políticas acirradas entre os entes federados, e também entre os poderes da República. Essa má condução política, e falta de coordenação e emprenho de muitas autoridades em focar na união, trará como consequência, mais danos econômicos e sociais que antes previstos no início da propagação do vírus no país.

O risco Brasil, nota classificação, dada por várias agências Internacionais de investimentos, já anunciaram que os ruídos da crise política podem afetar a capacidade do Governo em ajustar as contas públicas, e implementar uma agenda de reformas pós pandemia, no que diz respeito a retomada de reformas fiscais, tributárias e políticas, visando o crescimento das exportações com a produção interna para a geração de empregos.

Enfim, em vários países da América Latina e no resto do mundo, a economia está passando por processos de recessão resinificando a dependência global do mercado. Infere-se a importância de que o custo da pandemia poderá vir a ter reflexo das incertezas quanto a duração do processo, e do comportamento dos investidores que tem apresentado perfil conservador a moderado nas bolsas neste momento. O Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais (DESA, sigla em inglês) divulgou um novo relatório em que constata que a economia global irá encolher 0,9% este ano, devido impacto do COVID-19.

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Sobre Silvana Scorsin

Silvana Scórsin nasceu em 13/07/68, em Ponta Grossa- Paraná. Veio para Brasília em 1984 com um sonho: tornar-se uma grande executiva. Entrou na faculdade de Turismo aos 20 anos em 1992, depois fez pós em Gestão de Controle Empresarial, retornou a Faculdade para forma-se em Administração e partiu para a Argentina atrás do tão sonhado Mestrado de Gestão de Avaliação de Impacto Ambiental. Atuou com Chefe do Serviço de Turismo Receptivo da Secretaria de Turismo do DF, Ministrou Disciplina Teoria Geral de Administração para a Universidade de Desenvolvimento do Centro Oeste – UNIDESC. Atualmente é escritora, autora do Livro "Meios Impressos versus Meios Eletrônicos, um enfoque sobre os impactos ambientais neste setor" palestrante e jornalista do site Radar Digital Brasilia e jornalista responsável pelo Jornal Eletrônico CAPITAL EM FOCO. Coordenou uma equipe para a confecção de cadernos e um hotsite na Cobertura da RIO+ 20, para um grande grupo de Comunicação da Amazônia, onde atuou 31 anos na administração da Sucursal em Brasília, produzindo e apresentando o Programa “Conexão Brasília” com 26 vídeos que foram ao ar no portal do Grupo ORM. Credenciada nos Tribunais Regionais como Perita Ambiental. Site: www.radardigital.com.br Twuitew @sscorsin Instagran: sscorsin
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